quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Tradição em inovação

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TICs, tecnologias da informação e comunicação.

TICs, tecnologias da informação e comunicação. Cada vez mais, parece impossível imaginar a vida sem essas letrinhas. Entre os professores, a disseminação de computadores, internet, celulares, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga e uma infinidade de engenhocas da modernidade provoca reações variadas. Qual destes sentimentos mais combina com o seu: expectativa pela chegada de novos recursos? Empolgação com as possibilidades que se abrem? Temor de que eles tomem seu lugar? Desconfiança quanto ao potencial prometido? Ou, quem sabe, uma sensação de impotência por não saber utilizá-los ou por conhecê-los menos do que os próprios alunos?

Se você se identificou com mais de uma alternativa, não se preocupe. Por ser relativamente nova, a relação entre a tecnologia e a escola ainda é bastante confusa e conflituosa. NOVA ESCOLA quer ajudar a pôr ordem na bagunça buscando respostas a duas questões cruciais. A primeira delas: quando usar a tecnologia em sala de aula? A segunda: como utilizar esses novos recursos?

Dá para responder à pergunta inicial estabelecendo, de cara, um critério: só vale levar a tecnologia para a classe se ela estiver a serviço dos conteúdos. Isso exclui, por exemplo, as apresentações em Power Point que apenas tornam as aulas mais divertidas (ou não!), os jogos de computador que só entretêm as crianças ou aqueles vídeos que simplesmente cobrem buracos de um planejamento malfeito. "Do ponto de vista do aprendizado, essas ferramentas devem colaborar para trabalhar conteúdos que muitas vezes nem poderiam ser ensinados sem elas", afirma Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA.

Da soma entre tecnologia e conteúdos, nascem oportunidades de ensino - essa união caracteriza as ilustrações desta reportagem. Mas é preciso avaliar se as oportunidades são significativas. Isso acontece, por exemplo, quando as TICs cooperam para enfrentar desafios atuais, como encontrar informações na internet e se localizar em um mapa virtual. "A tecnologia tem um papel importante no desenvolvimento de habilidades para atuar no mundo de hoje", afirma Marcia Padilha Lotito, coordenadora da área de inovação educativa da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Em outros casos, porém, ela é dispensável. Não faz sentido, por exemplo, ver o crescimento de uma semente numa animação se podemos ter a experiência real.

As dúvidas sobre o melhor jeito de usar as tecnologias são respondidas nas próximas páginas. Existem recomendações gerais para utilizar os recursos em sala (veja os quadros com dicas ao longo da reportagem). Mas os resultados são melhores quando é considerada a didática específica de cada área. Com o auxílio de 17 especialistas, construímos um painel com todas as disciplinas do Ensino Fundamental. Juntos, teoria, cinco casos reais e oito planos de aula (três na revista e cinco no site) ajudam a mostrar quando - e como - computadores, internet, celulares e companhia são fundamentais para aprender mais e melhor.
Nove dicas para usar bem a tecnologia

O INÍCIO  Se você quer utilizar a tecnologia em sala, comece investigando o potencial das ferramentas digitais. Uma boa estratégia é apoiar-se nas experiências bem-sucedidas de colegas.

O CURRÍCULO  No planejamento anual, avalie quais conteúdos são mais bem abordados com a tecnologia e quais novas aprendizagens, necessárias ao mundo de hoje, podem ser inseridas.

O FUNDAMENTAL  Familiarize-se com o básico do computador e da internet. Conhecer processadores de texto, correio eletrônico e mecanismo de busca faz parte do cardápio mínimo.

O ESPECÍFICO  Antes de iniciar a atividade em sala, certifique-se de que você compreende as funções elementares dos aparelhos e aplicativos que pretende usar na aula.

A AMPLIAÇÃO  Para avançar no uso pedagógico das TICs, cursos como os oferecidos pelo Proinfo (programa de inclusão digital do MEC) são boas opções.

O AUTODIDATISMO  A internet também ajuda na aquisição de conhecimentos técnicos. Procure os tutoriais, textos que explicam passo a passo o funcionamento de programas e recursos.

A RESPONSABILIDADE
  Ajude a turma a refletir sobre o conteúdo de blogs e fotologs. Debata qual o nível de exposição adequado, lembrando que cada um é responsável por aquilo que publica.

A SEGURANÇA  Discutir precauções no uso da internet é essencial, sobretudo na comunicação online. Leve para a classe textos que orientem a turma para uma navegação segura.

A PARCERIA  Em caso de dúvidas sobre a tecnologia, vale recorrer aos próprios alunos. A parceria não é sinal de fraqueza: dominando o saber em sua área, você seguirá respeitado pela turma.

Fontes: Adriano Canabarro Teixeira, especialista de Educação e tecnologia da UFRGS, Maria de Los Dolores Jimenez Peña, professora de Novas Tecnologias Aplicadas à Educação Da Universidade Mackenzie, e Roberta Bento, diretora da Planeta Educação.
Reportagem sugerida por oito leitores: Alana Cristina Lorde, Várzea da Palma, MG, Graziela Stein, Marabá, PA, Jaqueline Alves Silva Soares, Caetanópolis, MG, Karla Capucho, Vitória, ES, Kelly Silva Monteiro, São Gonçalo, RJ, Luciano Alves da Silva, São Lourenço da Mata, PE, Nadia Pereira Marques, Cristalina, GO, e Thais Silvestre Rosa, Rio de Janeiro, RJ
Quer saber mais?
CONTATOS
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BIBLIOGRAFIA
Educação Hoje: "Novas" Tecnologias, Pressões e Oportunidades, Pedro Demo, 144 págs., Ed. Atlas, tel. 0800-171-944, 38 reais
Tecnologias para Transformar a Educação, Juana María Sancho e Fernando Hernández, 200 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 44 reais

INTERNET
Guia sobre uso seguro da internet 
Conteúdos digitais para todas as disciplinas  
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Comentários (5)
edilania bento da silva - Postado em 07/09/2012 00:25:34
O tema é bastante interessante e traz várias reflexões a respeito da importância de trabalhar com recursos tecnológicos de informação em sala de aula. No entanto, percebo que as dificuldades ainda são constantes pela inexistência ou a falta de uma preparação do docente para trabalhar com novas formas de ensino fugindo da tradicional aula expositiva. Muitos não tem o preparo nem mesmo de como utilizar esses recursos na sala de aula.
Luciana de Oliveira Silva - Postado em 30/08/2012 17:40:20
Acabei de escrever minha tese de doutorado (a ser defendida em outubro p'roximo) sobre a formação do professor para o uso da tecnologia. Isso é sério, para que as TICs sejam inseridas na escola é necessário um processo bottom-up, em que os professores tenham a chance de desenvolver a competência tecnológica para atuar de modo eficiente. Vamos seguir o exemplo da Noruega, que elegeu a competência tecnológica a quinta competência essencial no currículo dos professores. Os documentos oficiais naquele país contemplam a sala de aula conectada, diferente daqui. Luciana (prof. UFMG)
Sebastião Luiz Pereira - Postado em 08/06/2012 09:36:03
E muito interessante a exposição desse conteúdo. Sabe-se que a maioria dos docentes em escolas do Estado(públicas), não possuem acesso aos processos transformadores para o ensino. Contudo, eu acho muito importante ter acesso a essas tecnologias.


Leia todos

A escola e as novas tecnologias - o que muda e o que permanece virtualmente igual




Mesmo com todas as novas tecnologias e a necessidade de incluí-las no processo educativo, uma boa escola continua a ser o que sempre foi: acima de tudo, um espaço em que crianças e adolescentes se encontram, em um ambiente, regulado por adultos qualificados, que oferece proteção contra o mundo e em que todos são tratados com atenção e com respeito.
Essa exigência fundamental de boas relações humanas vale para qualquer tipo de escola, por maiores que possam ser as diferenças entre os princípios filosóficos e os valores, as concepções do papel da religião, da autoridade, as prioridades de ensino, em termos tanto de conteúdos como de métodos.
Cada escola possui seu jeito próprio de ser e de educar. Mas, para todas elas, não é mais possível ignorar as novas tecnologias, pois elas podem melhorar tremendamente a quantidade e a qualidade da educação oferecida. Do ensino curricular mais tradicional às formas mais "alternativas" de educar, qualquer escola só tem a ganhar com a introdução de recursos como os da informática e da Internet.
De certa forma, não aproveitar as novas tecnologias e o que elas podem nos trazer – em termos de possibilidades de pesquisa, de aprendizagem, de autoria e de comunicação – está ficando cada vez mais parecido com o que seria educar antigamente ignorando canetas e livros...
Em escolas particulares e nas redes públicas, uma nova tarefa de pais que buscam a melhor educação para seus filhos passa a ser pressionar no sentido da incorporação das novas tecnologias ao processo educativo. É preciso conscientizar-se, especialmente, de que o seu não aproveitamento em nossas escolas públicas já está criando um novo tipo de exclusão social, o "iletronismo", e corremos o risco de formar gerações de jovens de origem popular que não puderam explorar e dominar as novas tecnologias nem em seus lares nem nas escolas.
Em suma, mesmo se as constantes revoluções tecnológicas precisam ser levadas em conta, uma boa escola continua sendo aquela na qual confiamos e à qual nossos filhos retornam com prazer. Não há solução tecnológica capaz de transformar um espaço pobre em relações humanas em um lugar interessante e capaz de gerar uma boa educação. Isso ainda é o fundamental e é a partir daí que podem ser experimentadas novas formas de ensinar e de aprender, cujo potencial apenas começamos a vislumbrar.